Hoje dou inicio a uma nova serie aqui no blog – “Ler o tricot”.

Ok, já sabemos montar as malhas nas agulhas, fazer meia e liga, fazer aumentos e diminuições e até rematar as malhas e costurar – já podemos fazer uma peça completa!
Sim, é verdade, podemos tricotar um cachecol ou uma gola para o frio que se aproxima. Mas o que gostavam mesmo era de tricotar aquele modelo lindo que viram a folhear uma revista (ou a passear no pinterest que hoje me dia é quase a mesma coisa!). Mas assim que começam a ler o esquema, pousam as agulhas e atacam o gelado de chocolate mais próximo? Been there, done that!

Mas acredita, não é tão complicado. E, para ajudar, vou dar-te algumas dicas para que o processo de converter um esquema indecifrável numa peça tricotada, seja quase indolor!

1 – Antes de nada é preciso perceber o que queremos tricotar. Sei que parece óbvio, mas muitas vezes não percebemos de imediato que aquele casaco é tricotado pelas mangas, numa peça única; ou se aquela camisola é tricotada da gola para baixo ou ao contrário… E, perceber a construção da peça que queremos tricotar é fundamental para depois conseguir ler bem o esquema. Frequentemente, os esquemas incluem uma pequena introdução que explicam como é construída a peça e como devemos tricotá-la (mas outros tantos não dizem nada e tenho de perder algum tempo a perceber como se “monta” a coisa).

2 – Na maioria das revistas (e até alguns livros) aparecem erros, mais ou menos grosseiros, mas que podem comprometer o sucesso do nosso tricot. Por isso, agarro na calculadora e faço algumas verificações:

via Natalie Dee

2.1 – Começo por comprovar as medidas pela amostra. Verifico apenas algumas medidas, por isso tento escolher as mais importantes. Por exemplo a medida da frente e das mangas numa camisola. Não quero começar a tricotar uma camisola para mim e depois de algumas horas de trabalho, perceber que só vai servir à minha filha! Nestas verificações temos de estar especialmente atentos se nos aparece um numero de malhas que nos chame a atenção. Por exemplo, se estão a trabalhar com 40 malhas na frente da camisola e pede para montar 50 malhas no punho da manga…erro na certa! Porque não queremos que nos aconteça como à Nina, que começou a tricotar um casaco de bébé e quando deu por ela, tinha mangas para uma camisola de adulto!

2.2 – Aproveito ainda para comprovar as contas nos aumentos e diminuições. Estes são erros que encontro com mais frequência – numa fila de 30 malhas pedem para diminuir 8 malhas e dizem que ficamos com 20 malhas no final. Parecem disparates (e são!), mas são tão comuns que agora verifico antes de lá chegar! O pior destes erros é que depois temos de corrigir todo o esquema até ao final, porque o numero de malhas é diferente. 

3 – A maioria dos esquemas são escritos de forma absolutamente telegráfica, cheios de abreviaturas e instruções curtíssimas, quase indecifráveis para iniciantes. A sério, as revistas de tricot não são assim tão baratinhas e de certeza que podiam acrescentar umas letras ás instruções! Adoro as páginas cheias de fotografias inspiradoras, mas fico sempre terrivelmente desiludida com as fracas instruções, atiradas para o final da revista. Por tudo isto, tenho sempre de dedicar algum tempo a completar algumas instruções. Por exemplo, é muito comum dizerem: “na fila seguinte tricote dimuindo 5malhas” – ora bem, e como fazemos isto? se na fila anterior tinha 30 malhas e temos de diminuir 5 malhas, faço 30/5= 6, anoto este numero e sei que nessa fila tenho de tricotar (4malhas+diminuição)x5 repetições. Assim, quando chego a essa fila sei exactamente como tricotar, sem ter de pousar as agulhas para ir buscar a máquina de calcular!

via Brown Sharpie

E, aqui se acaba a matemática. A sério. Prometo. No próximo artigo desta serie vou falar-te das abreviaturas e como seguir instruções de pontos…podem deixar a máquina de calcular na gaveta! 🙂

Agora tu: quais são os teus truques? Conta-me tudinho, sim?

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